Nota Cultural

Quando os cães estavam ao serviço da CML 

"Jorge Landmann, um oficial inglês que esteve em Portugal durante as invasões francesas, conta, em Historical, military and pictures que observations in Portugal, publicada em Londres, em 1821, que a convenção de Sintra salvou a vida a muitos cães! E explica:
Junot, para terminar com a perigosa e incomodativa situação dos cães andarem de noite, pelas ruas de Lisboa, lutando, ladrando e uivando, ordenou a sua matança. Muitos foram mortos e mais seriam se o general francês, após a assinatura daquele tratado, não se tivesse retirado do país.

Muitos portugueses - acrescenta Landmann - consideraram aquela ordem não só um acto cruel mas também prejudicial. Mortos os cães, desapareciam os funcionários da limpeza urbana. Para sobreviverem, aqueles animais semi-selvagens devoravam os detritos e imundícies que empestavam as ruas da capital.", nota de rodapé de Manuela Simões, in Cartas de Lisboa-1822, de José Pecchio. Livros Horizonte. Lisboa. pp. 36-37.

Um historiador insuspeito, Albino Lapa, descreve-nos desta forma Lisboa em fins do século XVIII: "As casas estão sujas; os piolhos, os percevejos e insectos de toda a espécie tornam a estadia insuportável (para viajante).As ruas estão cobertas de imundíces, sem quaisquer luzes, a não ser as que iluminam algumas Virgens; infestadas de cães, que passam toda a noite a ladrar; só Lisboa tem mais de 80.000 cães nas ruas; estão inundadas de ladrões, de dejectos de bacios de noite, de cães e de polícias", in História da Polícia de Lisboa, vol.II.pp.23-24.

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